Essa foi uma oportunidade de fazer fotografias mais experimentais, brincando com os princípios básicos da fotografia: abertura, velocidade e ISO. Busquei extrapolar esses elementos, tirandoos do padrão definido como ‘fotometria ideal’ — geralmente buscada em fotos comerciais e de registro, ou naquela que temos mais acesso hoje na fotografia amadora, em câmeras e celulares no modo automático.
Com isso em mente, fui à caça das imagens. Minha principal busca foi por rastros de movimento; para isso, regulei minha câmera para fotografar em baixas velocidades, compensando o ISO e a abertura para que a imagem não estourasse com a iluminação do palco. Mantive o foco automático para ter uma preocupação a menos, pois eu também fazia movimentos de aproximação e afastamento com minha lente teleobjetiva 70-210mm — que é ‘cropada’ devido ao sensor da minha câmera não ser full frame.
Nessa dança que envolvia a mim, a câmera e os dançarinos no palco, eu não tinha um tripé para me sustentar nesse salto para a imprevisibilidade controlada. Foi um experimento casual, porém técnico; aleatório, mas buscando o simples; trabalhoso e complexo, no entanto caótico e figurativamente abstrato.
Esta dança aconteceu no dia 12/07/2024, no Teatro Municipal de Uberlândia. Foram 956 fotos, das quais 251 ficaram interessantes. Fiz correções e tratamentos de pós-edição, mas nenhuma manipulação digital, sobreposição ou borrões artificiais. Ou seja: essa ‘abstração fotográfica’ foi alcançada no ato do clique, na racionalização prévia que descrevi acima.
Também me deixei levar pelo instinto e pelo ritmo do espetáculo, que via por intermédio da câmera. Eu era parte do público à minha volta que, assim como eu, tinha o olhar conduzido pelo movimento. E foi mais ou menos assim que chegamos a estas dez fotografias. Aqui, apresento uma delas.







