Fiz essas fotos sentada a beira de um rio, em frente a uma cachoeira, depois de levar dois grandes tombos durante uma caminhada .
Sim, dois solavancos que me puseram a pensar na vida e em todos os outros solavancos que levei, ali sentada e depois, e ainda durante muito tempo.
A vida é como o rio, não há caminho de volta, flui sem parar em direção ao desconhecido, contornando ou superando obstáculos e esculpindo nossa essência ao longo do tempo, no leito desse rio.
Em cada curva, abandona o que não precisa ou não merece seguir adiante, e ao longo desse curso, tudo, de algum modo, muda. Sempre em movimento. Os sentimentos são voláteis, as vontades são supérfluas, o passado não volta, e o futuro não existe, está coberto pela neblina do tempo, o que nos impede de vê-lo.
Observar o curso da água leva o pensamento longe, vem as lembranças, as alegrias, os sustos, as dúvidas, as dores, os traumas, uma vida inteira em meio ao brilho inquieto das águas como se fosse um espelho da alma.
Ruptura e transformação, quedas inevitáveis, metamorfoses que, embora assustadoras, renovam nossa energia e servem de impulso para seguir adiante com mais força.
“A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.” (Guimarães Rosa)














