A bordo não é sobre deslocamento. É sobre aquilo que carregamos enquanto atravessamos. Entre o asfalto submerso, o céu em ruptura e a terra que escorre, sigo, testemunha de um tempo em desequilíbrio, onde a paisagem deixa de ser cenário e passa a ser aviso. A bordo da urgência, daquilo que já mudou e do que ainda insiste em mudar, do excesso de água, da falta dela, do ar que pesa, da terra que queima, do mar que avança. Não há distância segura quando se está dentro, e estamos. Cada imagem não é passagem, é presença. A bordo é reconhecer que não estamos indo para algum lugar, estamos atravessando o que já chegou.














