Durante dois meses caminhei por Paris, simplesmente registrando no sensor parte do que era possível ver com um olhar espelhado de emoções. Nesses momentos, constatei algo fascinante: cada ação individual, cada gesto isolado, cada movimento aparentemente banal, quando reunidos, davam vida a um grande teatro a céu aberto. Uma peça viva, interpretada por personagens que não se conheciam, mas que contracenavam involuntariamente, unidos por hábitos culturais, trajes e espaços que moldavam o cotidiano parisiense.
As 15 fotografias em preto e branco que compõem este portfólio são fragmentos desse palco. São cenas captadas em cafés, bares, praças públicas, meios de transporte e outros ambientes onde a vida se desenrola com naturalidade e intensidade. Fotografar Paris, foi escutar seu ritmo — um ritmo que pulsa nas ruas, nos encontros fortuitos, nas pausas silenciosas e nas coreografias espontâneas que surgem sem aviso.
Registrei manifestações que revelam desejos e inquietações de pessoas de todas as idades, expressos com a mesma naturalidade de quem caminha pela cidade. Os animais de estimação, companheiros inseparáveis que ocupam um lugar afetivo e simbólico na vida urbana, compõem a cena e com destaque.
Meu trabalho é uma homenagem à observação dos instantes fugitivos que Paris oferece a quem se permite simplesmente olhar. São momentos breves, mas reveladores, que compõem a essência de uma cidade em permanente movimento.





















