O carnaval possui um tempo próprio, um suspiro de vida, um intervalo que escapa à rigidez do calendário e suspende, ainda que provisoriamente, a lógica linear e repetitiva do cotidiano regado a muito trabalho e muita informação. Trata-se de um tempo outro, que pulsa em descompasso, abrindo brechas para o inesperado e para a experiência sensível do presente. O carnaval é lúdico e político; carregado de memória, história e invenção. O tempo do carnaval é experiência vivida como vibração coletiva que deixa ecos de uma liberdade que retorna a cada ano, nos alimentando de criatividade para todos os outros dias.
As imagens deste ensaio são do Bloco Afro Kizomba, em sua saída no centro de Vitória (ES), em 2020. O tema daquele ano foi inspirado em uma frase de Conceição Evaristo: “Eles combinaram de nos matar, mas nós combinamos de não morrer”. Este grito condensa séculos de violência histórica e, simultaneamente, a resistência incansável da vida negra. Ecoa não apenas como palavra, mas como gesto e ocupação do espaço urbano.














