O “Círio de Nazaré. Do Sagrado ao Profano: Uma Extensão do Brasil” propõe uma imersão fotográfica documental na vivência coletiva do maior festejo religioso do país, onde a fé, a tradição e a cultura popular se entrelaçam. Sob o olhar de Fabrício Augusto, o projeto investiga o rito como expressão simbólica e espaço de construção identitária — a devoção à Nossa Senhora de Nazaré, que remonta ao século XVIII em Belém, transformando-se em palco de memória, pertencimento e metamorfose social.
Sem se limitar ao registro da fé, o ensaio amplia o foco para as engrenagens humanas que sustentam o Círio: a manutenção da festa em coletividade, os gestos de cuidado que circulam pela multidão – como a água que refresca, hidrata e mantém vivos os corpos em trânsito — e o papel central dos pagadores de promessa, que performam a devoção com intensidade física e emocional.
Entre o sagrado e o profano, entre a corda que arrasta multidões e as vielas onde a promessa encontra seu território, o trabalho revela como a força do rito reside também na solidariedade, na organização espontânea e nas práticas comunitárias que fazem o Círio acontecer todos os anos. Nessa intersecção entre fé, corpo e resistência, a série convida o espectador a refletir sobre a cultura popular como extensão viva do Brasil — uma manifestação multifacetada que, ao mesmo tempo em que celebra a devoção, expõe o país em toda a sua complexidade, sensibilidade e potência coletiva.





















