Robert Fildies

Robert Fildies

Quando minha filha mais nova se formou na faculdade de direito, veio trabalhar em meu escritório. Naquela época, já éramos quase 50 pessoas entre advogados, estagiários e funcionários. Nosso convívio foi excelente e produtivo. Ela se tornou uma exímia profissional. Por ser minha filha, não fazia qualquer distinção específica em relação aos demais profissionais. Com o passar do tempo notei que aquela relação aconchegante de pai e filha estava dando lugar a um viver profissional, e isso era bom na condução do escritório, mas impunha um distanciamento afetivo não desejado. Precisava reverter a tendência e encontrar algo que pudesse fazer fora dos limites de nosso escritório. Comprei máquinas fotográficas para juntos, fazermos um curso de fotografia. Lá se vão quase 20 anos. Me encantei. Procurei buscar novos conhecimentos e, com o passar dos tempos, fui constando que a técnica era relevante, mas documentar o instante revelando uma história, era o nicho que eu deveria seguir. Na busca deste olhar, fiz vários cursos no Museu de Arte de São Paulo (MAM), no Museu de Imagem e do Som (MIS), na Escola Panamericana de Arte e, em diferentes oportunidades, no estúdio Stage Photo Paris, assim como outros patrocinados pela Leica na Cidade Luz. Todos excelentes e formadores, mas o grande encontro foi com a realidade do dia a dia.
Andei pelos cinco continentes documentando a vida, os hábitos, os costumes e tendo um olhar carinhoso também para as paisagens. Dois livros de autoria publiquei: “A Índia Que eu Vi” e “Pourquoi Paris”, nos quais registro um confronto entre a cultura Oriental e a Ocidental. Juntamente com o grupo “Luz Marginal Procura Corpo Vago” publiquei o livro “Identicidades”, onde cada fotógrafo registrou a história de sua vida na cidade de São Paulo. Congelar instantes compondo um viver é a trajetória que sigo e seguirei até o fim dos tempos.