As memórias das viagens e fotografias que realizei no Pantanal são atravessadas pelas recorrentes notícias das queimadas que, nos últimos anos, têm marcado profundamente o bioma. O Pantanal vem enfrentando ciclos cada vez mais intensos de incêndios associados a períodos de seca extrema. Em 2024, cerca de 2,6 milhões de hectares foram consumidos pelo fogo — aproximadamente 17% de toda a sua área — configurando um dos piores cenários desde a crise histórica de 2020, quando cerca de 30% do bioma foi devastado.
As queimadas não apenas consomem a vegetação nativa, essencial à manutenção do equilíbrio ecológico, como também impactam diretamente a fauna, atingindo espécies já ameaçadas e comprometendo a regeneração do ecossistema.
Neste ensaio, busco traduzir visualmente esse colapso. A partir de fotografias autorais impressas em papel fotográfico e posteriormente submetidas à queima, ressignifico as imagens originais e produzo novos registros. Aquilo que antes revelava a contemplação da beleza e da vitalidade da paisagem transforma-se em vestígio: imagens atravessadas pela angústia, que evocam a destruição, a perda e a iminência do desaparecimento.














