O ensaio propõe uma contemplação do ritmo amazônico onde o litoral não é limite mas transição. Um corpo em suspensão, ora submerso, ora revelado que evidencia a força silenciosa das marés como agente escultor da paisagem. Trata se de um olhar que investiga a impermanência, o desenho efêmero do território e a Amazônia costeira como espaço de respiro vastidão e transformação contínua.
As imagens se constroem a partir desse intervalo instável. Árvores solitárias emergem com raízes expostas, galhos deslocados repousam sobre a areia, bancos de sedimentos surgem e desaparecem enquanto lâminas rasas de água refletem o céu e diluem o horizonte. A presença humana é mínima ou ausente e o protagonismo pertence à escala natural e ao tempo geográfico em permanente movimento.
No litoral amazônico da Ilha de Marajó terra e água coexistem em constante negociação. Essa dinâmica das marés é um fator determinante para a configuração da paisagem e do ecossistema moldando extensas planícies de manguezais e os canais de maré conhecidos como furos e igarapés característicos da costa leste da ilha em municípios como Soure e Salvaterra.














