A Parada do Orgulho LGBT+ de Uberlândia consegue realizar algo que será fundamental na luta deste e dos próximos anos: conciliar cultura, arte, política, afeto, alegria e luta. Isso não poderia ser diferente, por ter como essência o combate e a diversidade. Agregar os diferentes de forma democrática e respeitosa — refiro-me a diferentes classes sociais, raças, credos, religiões e posições políticas. Tinha até casados héteros (piada interna).
Sem querer ser ‘Poliana’, mas buscando refletir sobre formas de resistir, lutar e propor uma verdadeira mudança, vejo que o ano de 2026 será muito difícil. Não precisamos de mais que algumas horas ou dias para ter certeza disso; algo que já era anunciado e sofrido na última década. Cheguei à conclusão de que a cultura, a arte e a comunhão de quem tem empatia e afeto pelo próximo são as melhores armas para combater quem só possui armas reais e amor ao dinheiro e ao poder. Para além disso — e não quero soar inocente —, acredito que, para uma revolução de fato, precisamos de muito mais; talvez armas menos metafóricas. No entanto, acredito no poder real desses elementos.
O melhor dessas qualidades é que nós as temos em abundância, e eles não. Portanto, que em 2026 festejemos e lutemos como a comunidade LGBT+, um exemplo de organização sociopolítica e amor.
Este é só mais um daqueles meus breves devaneios. Uma busca por entender o sincretismo à brasileira que, para além do religioso, é sincrético por essência desde a invasão dos ‘quintos’ há quinhentos anos — e, provavelmente, antes disso, com nossas diversas etnias originárias. A comunidade LGBTQIAPN+ brasileira é um reflexo e um exemplo dessa nossa gênese formadora. Na colonização, o sincretismo nos foi imposto, porém também nos ‘sincretizamos’ por afeto. É um exemplo da nossa teimosa resistência.

Sincretismo é a mistura, fusão ou combinação de elementos de diferentes culturas, religiões, ideologias ou filosofias, formando um novo conjunto que preserva traços das origens, como visto no sincretismo religioso brasileiro. Mas, para além dos sincretismos religiosos, o brasileiro é sincrético por essência, desde a invasão dos ‘quintos’ há quinhentos anos — provavelmente antes disso, com nossas diversas etnias originárias. E a comunidade LGBTQIAPN+ brasileira é um reflexo e um exemplo dessa nossa gênese formadora. Na colonização nos foi imposta, porém também nos ‘sincretizamos’ por afeto. Registro: 23ª Parada do Orgulho LGBT+ de Uberlândia-MG, 30 de novembro de 2025.






Um dia de sol onde a silhueta anula o contraste, tornando todos iguais, despindo a todos de classes sociais, crenças religiosas, sexos e gêneros, transformando indivíduos em um coletivo — um horizonte de possibilidade e esperança, revelando apenas o humano. Somos guiados pelo arco-íris, que conduz nosso olhar pela imagem, mas também serve como perspectiva da infinidade de possibilidades do afeto. Um ponto de fuga para as imposições ignorantes daqueles que possuem uma restrita sensibilidade à luz. Através deste registro, tentamos resumir a complexidade de uma luta constante, mas que traz uma perspectiva otimista de futuro e que não retrocederá. Compondo um enquadramento que não cabe em uma quadrada moldura. 23ª Parada do Orgulho LGBT+ de Uberlândia-MG, 30 de novembro de 2025.







