Esta série fotográfica, realizada em 2025, busca revelar a potência simbólica do território e a poética de seu povo. Entre crianças descalças, ruas de paralelepípedos e a terra vermelha que insiste em permanecer, as imagens constroem um retrato onde memória, pertencimento e luta se entrelaçam.
Localizado no distrito de Pimentas, em Guarulhos (SP), o Jardim Vermelhão surgiu entre 1993 e 1995 com a chegada de famílias migrantes, majoritariamente do Nordeste brasileiro. O nome da comunidade nasce da cor intensa da terra que marcava os pés dos moradores, transformando-se em signo de identidade coletiva.
Com o tempo, as ruas de terra deram lugar aos paralelepípedos, assentados pelos próprios moradores como gesto de resistência e organização comunitária. A terra vermelha, no entanto, permanece no campo de futebol, espaço simbólico do bairro, onde o solo se mantém como memória material e afetiva. Mais do que lazer, o campo representa proteção e possibilidade, com o esporte atuando como alternativa à violência e ao tráfico, especialmente para crianças e jovens.
O cotidiano revela a força dos vínculos coletivos. Fachadas inacabadas, pequenos comércios, mesas de sinuca e encontros nas calçadas indicam que a rua é também lugar de convivência, cultura e resistência. Entre estruturas improvisadas, a vida se reorganiza continuamente.
A trajetória do Jardim Vermelhão é marcada pela mobilização comunitária. Em 2006, foi criada a Associação Comunitária do Jardim Vermelhão (ACJV) e, em 2021, o Museu Comunitário, voltado à preservação da memória local. Iniciativas como Pimenteiros e Pimenteiras do Vermelhão reafirmam a cultura como ferramenta de fortalecimento coletivo.
Apesar dos desafios, da regularização fundiária ao acesso a direitos básicos, o Vermelhão segue como território de resistência, invenção e esperança.














