O ensaio fotográfico “O Fim da Linha” tem como objetivo dar luz ao estado atual da Estação Ferroviária de Mairinque, marco fundamental da história da engenharia e da arquitetura brasileira. A estação, primeira construção em concreto armado do Brasil, que um dia representou o símbolo de modernidade e inovação no início do século XX, contrasta com o atual avançado processo de deterioração física e simbólica.
O ensaio concentra-se nessa ruptura: a permanência da infraestrutura ferroviária dissociada de sua dimensão social, cultural e urbana. Plataformas vazias, estruturas degradadas e marcas do tempo revelam o abandono progressivo de um patrimônio tombado.
As imagens registram o conflito entre uso e esquecimento, entre relevância histórica e negligência contemporânea. A decadência observada não se limita ao desgaste material, mas evidência a fragilidade das políticas de preservação frente à obsolescência funcional e à ausência de apropriação social do espaço.
“O Fim da Linha” propõe, assim, uma reflexão visual sobre memória, patrimônio e descaracterização, documentando um bem histórico de extrema importância que, apesar de seu passado de prosperidade para a cidade, hoje encontra-se desconectado da experiência humana para a qual foi concebido. Além disso, o ensaio nos leva a imaginar o que o futuro reserva para esta pobre sobrevivente do descaso.













