A noite mais longa do calendário litúrgico começa do lado de fora. O fogo acende antes da porta. O rito é uma tecnologia do corpo: ele prescreve onde estar, para onde olhar, o que segurar nas mãos. Estas imagens acompanham o Triduum Sacrum numa comunidade beneditina no interior do Paraná, o arco do entardecer ao fogo, da procissão à assembleia reunida na escuridão. Nem dentro nem fora, mas no lugar onde a câmera consegue permanecer.

O espaço já sabia o que estava para acontecer.

O luto ainda não acabou. A celebração ainda não começou.

O fogo é o primeiro gesto. Tudo o mais vem depois dele.

Entrar é uma decisão que o corpo toma antes da cabeça.

O rito não pede que você deixe o mundo do lado de fora.

Há um momento em que o olhar vai para onde as palavras não chegam.

O divino permanece iluminado. Os corpos, apagados, continuam lá.







