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Emoldurando o Vento

Spray iluminado, vento alinhado e o pôr do sol como pano de fundo. Técnica e natureza trabalhando juntas.

Emoldurando o Vento

Andre MagaraobyAndre Magarao
17 de February de 2026
in Portfolio

Selected in Prêmio Portfólio FotoDoc 2026

Emoldurando o Vento: Minha Jornada na Fotografia de Kiteboarding

Fotografar kiteboarding é eletrizante. Existem inúmeras possibilidades e incontáveis lugares para explorar. Em um dia você está em uma lagoa tropical de águas azul-turquesa; no outro, com a água cinza e agitada, enfrentando rajadas de 60 nós no rosto. É um esporte definido pela imprevisibilidade e pela amplitude — ao mesmo tempo um desafio e um presente para qualquer fotógrafo.

O que diferencia o kiteboarding é a sua diversidade. Cada disciplina — freestyle, big air, wave riding, park e foil — possui estética e energia próprias. O freestyle é bruto e explosivo; o big air é monumental e dramático; o wave riding é fluido e cinematográfico. Como fotógrafo, você não está apenas registrando um esporte — está traduzindo emoção, estilo e ambiente em um único frame.

Eu cresci fotografando skate, e essa base moldou a maneira como abordo o kiteboarding. Na cultura do skate, existe uma parceria profunda e simbiótica entre atleta e fotógrafo. Vocês exploram locações juntos, planejam a manobra e esperam o momento certo — artista e atleta em busca da imagem perfeita. Essa mentalidade segue presente na forma como trabalho com os kitesurfistas. A diferença? O vento nos dá liberdade. No kiteboarding, é possível deslocar a ação — mover a manobra cinco metros para a esquerda para melhorar o fundo, ou alinhar perfeitamente com o sol. Não é como no surfe, onde você está preso ao pico da onda.

Outra herança da fotografia de skate foi a valorização da luz artificial. No skate, o uso de flash é essencial. Eu levei isso para a água. Com a ajuda de plataformas flutuantes e flashes de bateria extremamente potentes, comecei a iluminar o kiteboarding de uma forma que poucos tinham visto. Usar flashes em plena luz do dia pode parecer contraintuitivo, mas, quando bem executado, eleva a imagem de um simples registro de ação para poesia visual. O spray vira um halo. O kite explode no céu. O atleta fica gravado no frame como a silhueta de um sonho.

Sendo brasileiro, sei o quão incríveis podem ser as condições — especialmente no Nordeste, onde o vento é de nível mundial. Mas a luz? Essa é outra história. Próximo à linha do Equador, o sol permanece duro e a pino durante a maior parte do dia. Nada muito favorável. É aí que os flashes entram novamente. Eles me dão controle — transformando a luz chapada do meio-dia em drama de golden hour, sempre que necessário.

Para mim, a fotografia de kiteboarding vai além de capturar manobras. Trata-se de criar cenas que sobrevivem ao instante. É transformar um esporte rápido e caótico em algo esculpido — intencional — belo. É a arte de surfar o vento, congelada no tempo.

Flash na água, flash no céu. Quando o kite também recebe luz, o vento deixa de ser invisível e passa a ocupar o frame.
Fotografar no Ceará é trabalhar com contraste: céu quente, água escura e luz artificial moldando cada detalhe
Quando o sol desaparece no horizonte, meus flashes assumem o protagonismo — mantendo a intensidade da sessão até o último vento.
Iluminando o spray para revelar o desenho da manobra. Cada gota conta a história do trajeto no ar.
Golden hour no Ceará. A luz ambiente cria o clima, o flash define a intenção.
Entre o último brilho do sol e a primeira luz da noite, construindo imagens onde o vento ganha forma.
Fotografar com a lua cheia é um desafio e um privilégio — equilibrar a luz natural fria da noite com a potência dos flashes cria uma atmosfera única.
Contra o dourado do entardecer cearense, o flash recorta o atleta e transforma segundos em algo eterno.
No Nordeste, o vento é constante — mas é no pôr do sol que a cena ganha alma. Flash na água, cor no céu e movimento no ar.

Open Call! Submit Your Work to FotoDoc 2026

Andre Magarao

Andre Magarao

Comecei a fotografar por influência do meu pai. Na época da fotografia analógica, ele tinha uma Pentax SLR, e foi ali que minha curiosidade pela fotografia começou a tomar forma. Inicialmente, foquei em paisagens, muitas vezes registradas durante pedaladas ao amanhecer. O ciclismo me ensinou disciplina, o valor de acordar cedo e a apreciar lugares bonitos e a luz suave da manhã — lições que continuam a influenciar meu trabalho até hoje. Sempre fui profundamente conectado ao esporte, então foi natural começar a fotografar meus amigos praticando as modalidades que eu amava. Fotografando em filme, sem a rede de segurança do Photoshop, aprendi rapidamente o quanto a luz e o timing eram cruciais — especialmente durante a golden hour. Quando passei a fotografar skate, também aprendi uma realidade importante: skatistas raramente estão dispostos a acordar às 5 da manhã para aproveitar a luz natural perfeita. Esse desafio despertou meu interesse duradouro pela iluminação artificial, que desde então se tornou um elemento marcante do meu estilo visual. Já atuo como fotógrafo profissional há mais de uma década e, ao longo desses anos, minha lente me levou a alguns dos cenários mais dinâmicos e inspiradores do universo dos esportes de ação. Especializado em imagens de alto impacto, meu foco é capturar atletas em seus momentos mais poderosos, fluidos e decisivos — em terra, na água e no ar. Meu trabalho já estampou mais de 60 capas de revistas e foi publicado mais de 800 vezes em mídias impressas e digitais. De sessões intensas de kitesurf em locações remotas a produções de skate e BMX nas ruas e em pistas com atletas de elite, meu objetivo sempre foi contar histórias autênticas com energia, clareza e precisão. Acredito que a grande fotografia esportiva vai além de documentar uma manobra ou um resultado — trata-se de traduzir adrenalina, emoção e timing em um único e impactante quadro. Em 2021, tive a honra de ser nomeado Fotógrafo Esportivo do Ano no International Photography Awards, um marco que reconheceu anos de dedicação ao aprimoramento do meu trabalho e à busca por expandir os limites visuais dentro dos esportes de ação. Embora tenha recebido outros prêmios ao longo da minha trajetória, esse reconhecimento tem um significado especial por representar o compromisso de longo prazo por trás do que faço.

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