Os registros feitos por meio de uma câmera de celular — reforçando a ideia de democratização da arte e da aproximação entre tecnologia cotidiana e produção estética —, ao mesmo tempo em que documentam, propõem uma leitura poética do espaço urbano, trazendo referências na composição visual: o construtivismo, nas linhas sobrepostas que lembram um desenho arquitetônico ainda em rascunho; a op art, em suas geometrias repetidas que confundem o olhar; e até o cinema neorrealista, na escolha de ambientes populares que carregam a dignidade das coisas simples.
A intenção deste trabalho não é oferecer apenas uma coleção de imagens, mas um convite à contemplação: perceber que, por trás de cada parede, há uma história; por trás de cada sombra, uma presença; por trás de cada vazio, uma memória em construção.
















