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O Desocupar das Ruas

O Desocupar das Ruas

Tatiana GuimarãesbyTatiana Guimarães
29 de June de 2025
in Portfolio

Selected in FotoDoc Photo Contest 2025

Morei em Guanambi quase a vida toda. Cheguei lá quando a rua Casemiro de Abreu ainda era de terra. Quando chovia, a gente brincava na enxurrada, fazia tapagem pra água passar mais devagar, entrando nessas ruas feitas de barro e afeto. Foi nessas ruas, andando descalça por todo o centro, que eu cresci. Descalça mesmo, ia no açougue de Milton e voltava pra trocar a carne porque minha mãe dizia que não era a que ela tinha pedido.

Foi numa esquina do centro que, com 14 anos, criei coragem e pedi o menino de quem eu gostava pra namorar — em vão. Passei por aquelas vitrines cheias de roupas que eu não podia comprar até fazer 16 e começar a trabalhar, achando que ia ser independente. Mal sabia eu que independência era bem mais difícil de conseguir do que eu imaginava.

Aquelas ruas e esquinas tinham todo mundo que cabia na cidade e no meu olhar. Ficaram no meu coração, mas o tempo mudou. A cidade cresceu. O comércio foi pros bairros. As pessoas, de quase todas as classes, compraram carro, moto, e as ruas foram ficando vazias de pés que sonham.

As folhas caíram. O plástico chegou numa cidade que antes fazia sacos de tecido fiados em Matina. O lixo foi se acumulando, crescendo, se espalhando pelas ruas — tanta coisa que tapagem nenhuma dava jeito. Nem político.

As lojas do centro foram ficando vazias, até serem ocupadas por cachorros que agora descansam do calor no ar-condicionado. As pessoas nem veem. Passam de carro, com pressa de chegar logo nos lugares pra fazer mais coisas, ganhar mais dinheiro e comprar mais coisas que viram lixo e acabam nas ruas. A gente nem se incomoda com o que não vê.

Numa dessas andanças, enquanto fotografava o lixo acumulado nos terrenos dos bairros mais afastados — terrenos que deveriam ser limpos pelos donos e fiscalizados pelo poder público, encontrei Tereza. Sorrindo, ela faz do lixo um caminho pra conquistar seus sonhos.

Quando a gente desocupa as ruas, elas saem do nosso coração. Mas rua é natureza. Tem cheiro, tem cor, se mistura com a gente. Em Guanambi, parece que isso virou coisa do passado.

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Tatiana Guimarães

Tatiana Guimarães

Tatiana Alves Guimarães é fotógrafa com um olhar sensível para as narrativas humanas, dedicando-se à prática há cinco anos, com estudo e constante experimentação. Sua trajetória inclui cursos técnicos, práticos, workshops e uma atual pós-graduação em Fotografia como Suporte para a Imaginação (Espaço f/508 de Cultura / Instituto LEYA). Com interesse pela fotografia documental, retratos, fotografia de família e expressões artísticas que exploram o afeto e a memória, busca em suas imagens um impacto que vá além do visual, tocando a sensibilidade e provocando reflexão. Além da fotografia, explora o bordado como extensão de sua linguagem visual, agregando camadas de significado e textura às suas narrativas. Constrói um corpo de trabalho que dialoga com as emoções, as histórias pessoais e o compromisso social, utilizando a fotografia como ferramenta de imaginação e conexão humana.

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