Trata-se de um Ensaio realizado durante o mês de maio de 2024, quando o Rio Grande do Sul passava por um desastre sócio-ambiental. Rio Grande, cidade que em dezembro de 2023 recebeu o título de Capital Nacional das Águas, foi fortemente atingida.
Do ponto de vista geográfico, coube a Rio Grande escoar para o mar as águas que se acumularam no Guaíba, em Porto Alegre. O nível das águas no estuário da Lagoa dos Patos ultrapassou sua capacidade natural e invadiu a cidade. A capital das águas foi, por fim, tomada pelas águas, como se reivindicassem seu direito natural de ocupação.
Atingidos: As águas do Guaíba elevaram o nível da Lagoa dos Patos e os moradores em suas margens foram os primeiros atingidos.Desamparo: Embora a chegada das águas e o consequente alagamento estivessem previstos com antecedência, o governo municipal não soube se organizar para amparar a população mais vulnerável. A empresa responsável pela coleta de lixo atrasou o salário dos funcionários que, com razão, iniciaram manifestações. O serviço ficou irregular por semanas.Resgates: Ruas do centro da cidade também foram atingidas. Moradores começaram a ser resgatados pelo Corpo de Bombeiros e voluntários.Agravamentos: A água alcançou os dois principais hospitais da cidade.Canais: Dada a persistência da cheia, caiaques e barcos passam a circular nas ruas da cidade.Transportadores: Sem previsão de recuo imediato das águas, moradores retiram pertences de suas casas.Reflexo Geracional: Pai e filha pela rua após deixarem sua casa.
Queria ver vida onde não tinha. Descobriu que a fotografia era outra forma de escrever e dizer, de ser visto e mostrar aos outros o que tinha visto, mesmo quando não quis ver. Entusiasta da fotografia documental e da psicanálise, é professor de Filosofia na Universidade Federal do Rio Grande – FURG.
Através da experimentação, a realidade se fragmenta, transformando o comum em algo extraordinário. Este ensaio de fotografia experimental explora...