Este Ensaio é resultado de uma pesquisa fotográfica de longo prazo realizada entre 2015 e 2026 nas ilhas do Combu e Murucutu, áreas de proteção ambiental na região insular de Belém do Pará. A curta distância geográfica em relação ao centro urbano contrasta com a permanência de modos de vida profundamente organizados pelo rio, que atua simultaneamente como via de deslocamento, espaço doméstico, local de trabalho e território simbólico.
Os ribeirinhos das ilhas do Combu e Murucutu, têm sua subsistência fortemente ligada aos recursos naturais dos rios e da floresta. Entre os principais meios de vida estão o extrativismo vegetal, com destaque para a coleta do açaí, cacau e outras frutas amazônicas, além da pesca artesanal, agricultura de pequena escala, realizada em áreas de terra firme ou várzea com o cultivo de mandioca, hortaliças e frutíferas que garantem alimento e renda para as famílias. Mais recentemente, o turismo de base comunitária, especialmente na Ilha do Combu, passou a contribuir para a economia local, promovendo a valorização dos saberes tradicionais e da cultura ribeirinha.
Atravessar o rio é atravessar uma fronteira. Não apenas física, mas cultural e temporal. Mesmo sob a proximidade da cidade, essas comunidades mantêm práticas que resistem às lógicas aceleradas do urbano contemporâneo, ainda que não estejam isoladas dele. O celular, o turismo de base comunitária, a comercialização do açaí e a dependência dos serviços urbanos principalmente saúde e educação introduzem novas dinâmicas que coexistem — nem sempre de forma harmônica — com tradições ancestrais.
As imagens não buscam idealizar o modo de vida ribeirinho nem apresentá lo como vestígio do passado. Ao contrário, revelam uma cultura viva, adaptável e em constante negociação com as pressões externas que se intensificam sobre o território amazônico. As palafitas, os barcos, as passarelas e os corpos em deslocamento evidenciam uma arquitetura da sobrevivência construída pela experiência, pela repetição e pela necessidade.
O ensaio propõe uma reflexão sobre permanência e transformação: até que ponto esses modos de vida seguem existindo como escolha, e em que momento passam a ser condicionados por forças externas — econômicas, ambientais e urbanas? O rio permanece como rua, mas também como limite; como possibilidade de autonomia e, ao mesmo tempo, como espaço de vulnerabilidade.
Ao manter uma postura observacional e ética, este trabalho se constrói como um exercício de escuta visual, interessado menos em responder do que em sustentar perguntas. As imagens apontam para uma coexistência silenciosa entre tradição e contemporaneidade, revelando tensões sutis que atravessam o cotidiano ribeirinho e colocam em debate o futuro desses territórios à margem — e em diálogo constante — com a cidade.
A sequência fotográfica vai desde tradicional forma de deslocamento dos Ribeirinhos Amazônicos, onde o rio é a estrada, uma simples embarcação, carregando pessoas e histórias, contrastando com a Cidade ao fundo, passando pelas Palafitas com objetos pessoais expostos, o povo ribeirinho e seu cotidiano, a venda do fruto do açaí colhido nas Ilhas e pôr fim a visão que se tem da cidade.














