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Jardim Vermelhão

A mais antiga — A moradora viva mais antiga do bairro saindo de sua casa. A imagem foi registrada no beco principal da comunidade, cenário de diversos episódios de conflito e abordagens policiais durante os bailes funk organizados pelos moradores.

Jardim Vermelhão

Paula SquaiellaPorPaula Squaiella
2 de fevereiro de 2026
em Ensaio

Selecionado no Prêmio Portfólio FotoDoc 2026

Esta série fotográfica, realizada em 2025, busca revelar a potência simbólica do território e a poética de seu povo. Entre crianças descalças, ruas de paralelepípedos e a terra vermelha que insiste em permanecer, as imagens constroem um retrato onde memória, pertencimento e luta se entrelaçam.

Localizado no distrito de Pimentas, em Guarulhos (SP), o Jardim Vermelhão surgiu entre 1993 e 1995 com a chegada de famílias migrantes, majoritariamente do Nordeste brasileiro. O nome da comunidade nasce da cor intensa da terra que marcava os pés dos moradores, transformando-se em signo de identidade coletiva.

Com o tempo, as ruas de terra deram lugar aos paralelepípedos, assentados pelos próprios moradores como gesto de resistência e organização comunitária. A terra vermelha, no entanto, permanece no campo de futebol, espaço simbólico do bairro, onde o solo se mantém como memória material e afetiva. Mais do que lazer, o campo representa proteção e possibilidade, com o esporte atuando como alternativa à violência e ao tráfico, especialmente para crianças e jovens.
O cotidiano revela a força dos vínculos coletivos. Fachadas inacabadas, pequenos comércios, mesas de sinuca e encontros nas calçadas indicam que a rua é também lugar de convivência, cultura e resistência. Entre estruturas improvisadas, a vida se reorganiza continuamente.

A trajetória do Jardim Vermelhão é marcada pela mobilização comunitária. Em 2006, foi criada a Associação Comunitária do Jardim Vermelhão (ACJV) e, em 2021, o Museu Comunitário, voltado à preservação da memória local. Iniciativas como Pimenteiros e Pimenteiras do Vermelhão reafirmam a cultura como ferramenta de fortalecimento coletivo.

Apesar dos desafios, da regularização fundiária ao acesso a direitos básicos, o Vermelhão segue como território de resistência, invenção e esperança.

O fôlego do esporte — Imagem do campo de futebol, símbolo do Jardim Vermelhão, localizado no centro da comunidade. A fotografia mostra uma criança atravessando o campo, evidenciando a força e a importância do esporte em suas vidas. Ao fundo, pintados no muro, aparecem os escudos dos times do bairro.
Sinuca e Acarajé — Primeiro bar de acarajé do bairro, construído por imigrantes nordestinos na década de 1990.
Axé — Primeiro terreiro de Umbanda do Jardim Vermelhão. Embora se trate de um território construído majoritariamente por migrantes nordestinos de ascendência africana, a maioria dos espaços religiosos é de matriz pentecostal. A criação do primeiro terreiro marca um novo começo diante do preconceito ainda presente na sociedade brasileira.
Crianças — Crianças em uma área de descarte de lixo próxima ao campo de futebol, ouvindo a história da construção do bairro.
Janela — Imagem registrada a partir do interior do Museu do Jardim Vermelhão. A vista pela janela revela crianças vestidas com uniformes de futebol, representando possibilidades de futuro.
Entre Muros — Mais uma das muitas igrejas evangélicas pentecostais em construção no bairro. Ao lado de uma casa ainda inacabada, a imagem representa a expansão do pentecostalismo no contexto brasileiro.
Pátria — Imagem do museu a céu aberto do Jardim Vermelhão. A fotografia mostra um grafite e o nome da rua principal do bairro. As placas de sinalização, escolhidas e instaladas pelos próprios moradores, são vermelhas, diferente do restante da cidade, onde são azuis. Um símbolo de orgulho e pertencimento.

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Paula Squaiella

Paula Squaiella

Sou Paula Squaiella (São Paulo, 1997), fotógrafa e pesquisadora iconográfica formada em Comunicação e Multimeios pela PUC-SP (2019) e pós-graduanda em Museologia: Preservação, Gestão e Difusão pela FESP. Desenvolvo projetos voltados à fotografia e à preservação de acervos fotográficos e videográficos, investigando imagens de arquivo, texturas e modos de circulação das imagens ao longo do tempo. Realizei minha primeira curadoria em Estados Alterados: Processos Curatoriais a partir do Acervo Videobrasil (2019) e participei das exposições da residência artística Vai Passar, pelo coletivo MEIOAMEIO. Colaboro voluntariamente com o CINELIMITE, contribuindo para a preservação de filmes brasileiros em película. Minha prática articula fotografia, preservação e pesquisa da memória visual.

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