Este ensaio aborda a Mata Atlântica como um território vivo e essencial, moldado pela água, pelo tempo e pelas formas de habitar que nele coexistem. Em um dos biomas mais ameaçados do planeta, as imagens revelam rios, florestas e montanhas do litoral paulista como sistemas interdependentes, onde a presença humana pode tanto preservar quanto transformar o ambiente.
A narrativa se inicia na aldeia indígena, reafirmando a Mata Atlântica como território ancestral, protegido muito antes de qualquer delimitação oficial. As casas inseridas na floresta expressam um modo de vida baseado no equilíbrio, no respeito aos ciclos naturais e na permanência consciente no território.
O cotidiano caiçara, no gesto de lançar a tarrafa, amplia essa relação de pertencimento, enquanto o Rio Branco surge como eixo vital: caminho, sustento e memória coletiva, conectando montanhas, florestas e modos de vida.
Em contraste, a igreja antiga revela marcas de ocupações humanas de outros tempos construida na mata. A árvore solitária em meio à pastagem explicita as tensões entre preservação e transformação do território, evidenciando os limites entre o que permanece e o que se perde.
A chuva intensa devolve à paisagem o protagonismo da água, reorganizando o ritmo do ambiente fluvial. Em seguida, a presença da cobra-d’água reforça que a Mata Atlântica é um organismo sensível, habitado por espécies que dependem diretamente da integridade dos rios e da vegetação.
O ensaio se encerra na cachoeira, manifestação contínua da força da água elemento estruturante da Mata Atlântica, responsável por moldar paisagens, sustentar a biodiversidade e garantir a continuidade da vida.
Este trabalho busca documentar não apenas lugares, mas relações: entre pessoas, rios, floresta e o tempo que insiste em seguir.














