Uma lata. É o que basta para entoar um samba ritmado que embala os corpos negros suados das mulheres de Tijuaçú, comunidade quilombola de Senhor do Bonfim, no norte da Bahia. A lata é o símbolo de uma luta diária que mescla a aspereza do trabalho com a convivência com o território árido da Caatinga. O som metálico que emana da única lata do terreiro é capaz de reverberar o riso nas cerca de 20 mulheres que participam de uma apresentação cultural da sua tradição.
O Samba de Lata de Tijuaçú é único no Brasil e imensamente desconhecido, apesar de ser presença constante desde cedo na vida das crianças da comunidade quilombola. Com versos cantados e repassados entre gerações, a dança fortalece o senso de comunidade e é atravessada também por brincadeiras, risos e cuidados cotidianos. Por onde vão as mulheres de Tijuaçú, a lata carrega o tempero das suas tradições e das histórias de seus antepassados. Ela lembra que, se a vida pesa, é no riso e na dança que ela se alivia.

Uma das brincadeiras realizadas durante a sambada é rodear a cobra para ela não picar os pés.

Dançarina convida sua parceira para o meio da roda com alegria.

No fim da sambada, as participantes se unem em roda para dançar ciranda.

Durante a roda de samba, uma mãe ajuda seu filho a dar um laço em sua bermuda.

Duas crianças fofocam entre si sobre os acontecimentos durante a roda de samba.

A dança é feita em duplas enquanto um coro de mulheres entoa os versos ao som da lata.







