O Congado é raiz e movimento. Uma tradição que atravessa séculos como expressão de fé, resistência e memória, mantendo vivos saberes que o tempo e a história oficial tantas vezes tentaram silenciar. No interior dessa prática, crianças e jovens aparecem como continuidade — sementes que recebem da geração anterior não apenas passos e cantos, mas a experiência de existir coletivamente em torno da ancestralidade.
Nesta série, acompanho o olhar atento das crianças e dos jovens, seus corpos em aprendizado, mãos que já experimentam os instrumentos e pés que repetem passos antigos com a energia do presente. O aprendizado não acontece como ensino formal, mas no convívio, na observação e na presença. Cada gesto carrega a herança transmitida pelos mais velhos: o peso do tambor, o ritmo compartilhado, a responsabilidade de sustentar a tradição.
As imagens buscam revelar esse momento de passagem em que a tradição se planta novamente. O Congado se afirma como prática viva, que se renova a cada geração. O saber transmitido se converte em vínculo, em pertencimento e em promessa de continuidade.
Sementes do Congado é um registro da transmissão do vivido — daquilo que se aprende com o corpo e com a convivência. Uma observação da infância e da juventude como território onde o passado resiste e o futuro começa a se formar.














