Nos camarins do Dragstar, o palco ainda é silêncio, mas a transformação já começou. A drag queen Capitu Pitanga se curva sobre a peruca, quase como num gesto de reverência. A textura da blusa com cristais e da saia de tule brilham sob a luz do camarim, enquanto os fios crespos da peruca anunciam o que vem: volume, presença, potência. A cena é íntima e ritualística.
Uma espécie de dobra no tempo entre o cotidiano e o extraordinário. Não há público ainda, mas há entrega. Não há performance ainda, mas já há coragem. Vestir uma peruca, nesse contexto, não é só estética. É um ato de afirmação, de permanência e invenção de si. Ser drag é afirmar existência antes mesmo que alguém a reconheça.
A imagem faz parte de Dragstage, projeto autoral de longa duração iniciado em 2023 e atualmente em andamento, desenvolvido nos bastidores dos concursos de drag queens do Rio de Janeiro.







