A imagem investiga a permanência da memória através do gesto. Em primeiro plano, mãos marcadas pelo tempo operam um rádio portátil , objeto que embora associado a tecnologias do passado, permanece ativo como dispositivo de escuta e conexão.
O enquadramento fechado desloca o protagonismo do rosto para o corpo, enfatizando a materialidade da experiência vivida.
As texturas da pele, da madeira e da luz constroem uma narrativa tátil, onde o tempo se manifesta não como abstração, mas como superfície.
O ato de sintonizar transcende sua função utilitária e se apresenta como ritual: uma tentativa contínua de acessar camadas invisíveis lembranças, afetos, histórias. O rádio torna-se, assim, mediador entre tempos, enquanto o gesto revela uma escuta que é também interna.
A fotografia propõe uma reflexão sobre resistência e permanência, onde tecnologias consideradas obsoletas ainda operam como arquivos sensíveis da experiência humana.







