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O que fica – A música não pode parar

O que fica – A música não pode parar

Mendes FilhoPorMendes Filho
26 de maio de 2025
em Ensaio

Selecionado no Prêmio Portfólio FotoDoc 2025

O som que resiste
A história de Seu Ernani e sua loja de instrumentos durante a enchente de 2024

A cidade de Porto Alegre submersa pelo negacionismo e mudanças climáticas. Seu Ernani tem 88 anos e uma vida inteira de trabalho e memórias no mesmo lugar: a zona norte de Porto Alegre.
Militar aposentado, orgulha-se de ter servido em 1963 na Faixa de Gaza, batalhão de Suez, quando a região ainda era deserta. Depois da farda, trocou. Abriu o “Brick do Ernani” na Avenida Brasil, loja de compra e venda de instrumentos musicais usados — seu refúgio e paixão.

A loja fica em uma área que, segundo ele, foi um dia um grande banhado chamado Martin Guerreiro. “Tinha até jacaré por lá”, recorda. Com o tempo, o banhado foi aterrado com palha de arroz e se transformou em bairro comercial. Mas a terra, como o rio, tem memória.

Em maio de 2024, o Rio Guaíba voltou a tomar o que era seu.
Na sexta-feira, a água já chegava pela Avenida Cairú, esquina Avenida Brasil. No sábado pela manhã, quando o filho de Seu Ernani foi até a loja para entregar um saxofone, encontrou o espaço submerso: mais de um metro e meio de água no interior. Não havia mais o que salvar.

Tudo o que estava embaixo foi perdido, coberto por uma lama espessa e fétida.
Restaram apenas os instrumentos pendurados — violões, guitarras — como sobreviventes suspensos no tempo.

O prejuízo passou dos R$ 100 mil.
Mesmo assim, Seu Ernani não desanimou.

Homem de fé, não frequenta igreja, mas reza o terço todas as manhãs.
Durante nossa conversa, os dedos não deixaram as contas. A fé, para ele, é parte da rotina — como abrir a loja todos os dias.
Com paciência e coragem, limpou, jogou fora o que se perdeu, comprou novos equipamentos e recomeçou.

Hoje, o Brick do Ernani está de portas abertas novamente.
Mais do que uma loja, é sua companhia, seu motivo de sair de casa, de conversar, de ouvir e vender música. As marcas da enchente ainda estão a memória e nas paredes da loja. “Enchente sempre vai ter. O que é do rio, o rio pega de volta”, diz com tranquilidade. Como milhares de porto-alegrenses é mais fácil justificar como um processo natural e negar as mudanças climáticas, do que encarar a realidade que se impõem e agir preventivamente. Mas ele segue firme, porque — para Seu Ernani — a música não pode parar.
E a vida também não.

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Mendes Filho

Mendes Filho

Brasileiro, 62 anos, aposentado das obrigações formais, mas nunca da arte de capturar o tempo em abstrações de imagens. Fotógrafo por essência, transformo o cotidiano em legado, registrando instantes que, embora efêmeros, carregam em si a energia da vida. Minha câmera é uma extensão do olhar — um instrumento que traduz luz em memória, presença em permanência. Minha fotografia é um ato de escuta: documento do que insiste em ser visto, do que pulsa no ordinário e pede para ser guardado. Cada clique é um encontro entre o que surge e o que se desfaz, entre o acaso e a intenção. Não busco apenas imagens, mas vestígios do tempo — sua passagem sutil impressa em sombras, texturas e gestos. Retrato o que me convoca: cenas que nascem do desejo de preservar histórias ainda não contadas, da curiosidade pelo que a luz revela quando ninguém mais está olhando. Minha lente é movida pela criatividade que desperta no fluxo da rua, da natureza, da vida das pessoas, no ritmo das horas, no silêncio dos detalhes. Fotografo para que o efêmero não se perca — e, nesse processo, descubro que a vida, ela mesma, é um arquivo inesgotável. Em cada registro, deixo um fragmento de mim e resgato um pedaço do mundo.

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