Essas fotografias fazem parte de uma série de exercícios envolvendo composições com autorretratos, minhas sombras e minha imagem multiplicada. A busca vertiginosa por me revelar a mim mesma me impulsiona a entender o desejo inconsciente de me encontrar, ao passo que me perco entre ecos da minha própria figura, sem saber quem chegou primeiro e quem está saindo. Uma fuga e uma perseguição que se retroalimentam num estado de longa finitude.
À sombra dessa ideia fixa sobre perseguição e fuga, as imagens da série nascem, desenhando composições na luz constante da luta entre presença e ausência. Colagens com minha imagem repetida e autorretratos em sombra montam o corpo deste trabalho que busca a compreensão pela exaustão.
A repetição da minha figura intensifica o estágio de solidão e perturbação silenciosa onde minha imaginação me encontra. Os inúmeros Eu determinam uma certeza que delineia caminhos contraditórios: tudo que está presente está, também, ausente.
Nesse jogo misterioso, vou ajustando as peças a fim de que a história final não exista como parte de um destino definitivo, mas sim uma como uma composição que pede para o espectador olhar infinitamente outra vez. A série, então, se renova a cada vez que o espectador contribui com a minha busca, procurando também entender qual Eu chegou primeiro. Assim, é estabelecido um laço entre mim e o observador: ambos encontramos o meu Eu à medida que o perdemos.














