Este projeto teve início em 2024, quando, a convite de um amigo, passei a frequentar regularmente a região da Represa de Guarapiranga, no sul de São Paulo. Parte fundamental do sistema de abastecimento da Região Metropolitana, a represa é cercada por extensas áreas verdes e por uma ocupação humana marcada por fortes contrastes.
Inicialmente, meu interesse se concentrou na fauna e na flora locais. No entanto, à medida que o período de estiagem avançava e o nível da água recuava, a paisagem passou a revelar vestígios cada vez mais evidentes da ação humana. Em determinados trechos, como os que margeiam a Avenida Atlântica, concentram-se clubes náuticos e áreas de lazer; em outros, a ocupação irregular das margens expõe um problema crítico de ausência de saneamento básico em uma área que deveria ser destinada exclusivamente à preservação do manancial.
Com a diminuição do volume de água, comecei a registrar objetos submersos, resíduos, sinais de poluição e a forma como alguns animais interagem com esse ambiente em transformação. As imagens surgem desse confronto entre natureza, escassez hídrica e ocupação humana desordenada.
Em um contexto de estiagens prolongadas, no qual o racionamento de água se torna uma possibilidade concreta, e diante das mudanças climáticas provocadas pela ação humana, este trabalho se propõe como um alerta. Um chamado à conscientização, dirigido tanto à sociedade quanto ao poder público, sobre a degradação silenciosa de reservatórios essenciais à manutenção da vida urbana.







Caramujo transmissor da esquistossomose, se prolifera em águas não tratada











