Emoldurando o Vento: Minha Jornada na Fotografia de Kiteboarding
Fotografar kiteboarding é eletrizante. Existem inúmeras possibilidades e incontáveis lugares para explorar. Em um dia você está em uma lagoa tropical de águas azul-turquesa; no outro, com a água cinza e agitada, enfrentando rajadas de 60 nós no rosto. É um esporte definido pela imprevisibilidade e pela amplitude — ao mesmo tempo um desafio e um presente para qualquer fotógrafo.
O que diferencia o kiteboarding é a sua diversidade. Cada disciplina — freestyle, big air, wave riding, park e foil — possui estética e energia próprias. O freestyle é bruto e explosivo; o big air é monumental e dramático; o wave riding é fluido e cinematográfico. Como fotógrafo, você não está apenas registrando um esporte — está traduzindo emoção, estilo e ambiente em um único frame.
Eu cresci fotografando skate, e essa base moldou a maneira como abordo o kiteboarding. Na cultura do skate, existe uma parceria profunda e simbiótica entre atleta e fotógrafo. Vocês exploram locações juntos, planejam a manobra e esperam o momento certo — artista e atleta em busca da imagem perfeita. Essa mentalidade segue presente na forma como trabalho com os kitesurfistas. A diferença? O vento nos dá liberdade. No kiteboarding, é possível deslocar a ação — mover a manobra cinco metros para a esquerda para melhorar o fundo, ou alinhar perfeitamente com o sol. Não é como no surfe, onde você está preso ao pico da onda.
Outra herança da fotografia de skate foi a valorização da luz artificial. No skate, o uso de flash é essencial. Eu levei isso para a água. Com a ajuda de plataformas flutuantes e flashes de bateria extremamente potentes, comecei a iluminar o kiteboarding de uma forma que poucos tinham visto. Usar flashes em plena luz do dia pode parecer contraintuitivo, mas, quando bem executado, eleva a imagem de um simples registro de ação para poesia visual. O spray vira um halo. O kite explode no céu. O atleta fica gravado no frame como a silhueta de um sonho.
Sendo brasileiro, sei o quão incríveis podem ser as condições — especialmente no Nordeste, onde o vento é de nível mundial. Mas a luz? Essa é outra história. Próximo à linha do Equador, o sol permanece duro e a pino durante a maior parte do dia. Nada muito favorável. É aí que os flashes entram novamente. Eles me dão controle — transformando a luz chapada do meio-dia em drama de golden hour, sempre que necessário.
Para mim, a fotografia de kiteboarding vai além de capturar manobras. Trata-se de criar cenas que sobrevivem ao instante. É transformar um esporte rápido e caótico em algo esculpido — intencional — belo. É a arte de surfar o vento, congelada no tempo.
















