Na minha família, o Axé se encontra há muito tempo. Começando pela minha bisavó Dona Urselina e pelo meu bisavô Sebastião conhecido como Seu Pacheco, depois passando pelos seus nove filhos, diversos netos e, então, pelos seus bisnetos. Porém, mesmo ele estando aqui, regendo nossas cabeças, apenas me encontrei nele em 2022. Antes disso, bem, podemos dizer que naveguei por diversos mares (ou doutrinas, se preferir), como o catolicismo, o espiritismo, o agnosticismo e o ateísmo, até entender que, o procurava, estava aqui, o tempo todo.
Na minha vida, a Fotografia se encontra há pouco tempo. O começo de tudo foi em 2022, coincidentemente (ou não), o mesmo ano do meu encontro com o axé. Tudo começou como um passatempo, um local para por sentimentos e pensamentos, algo que já havia tentado de outras formas e jeitos quando era mais novo, e assim foi por um tempo, até que entendi que além de ser esse local para dizer quem eu sou, eu podia contar histórias, eu podia mostrar a beleza que enxergava na vida.
E, na tentativa de juntar a Fotografia e o Axé, criei o Ilê Axé, um projeto para exaltar a beleza do axé, um projeto para homenagear minha família. Assim, desde de 2023 eu tento fazer esse projeto sair do papel dessa maneira. O primeiro, foi o Projeto Fé, feito apenas para estudo. O segundo, foi o Ilê Axé Ogum Akoro Oyá Igbale, documentando todas as festas e giras do terreiro de mesmo nome, além de ter uma veia mais jornalística. Só que percebi que faltava algo, ou melhor, que demandava algo, então na busca de entender o que esse projeto necessitava, entendi que ele precisava ser mais eu.
O projeto propõe, como dito acima, exaltar a beleza do axé. Mostrar para o público a força que um Orixá e uma Entidade tem, mostrar a riqueza das festas, das giras, exaltando as religiões de matriz afro-brasileira que tão são perseguidas e que apenas representam 1% da população brasileira. O projeto propõe, como dito acima, homenagear a minha família. Que por medo da intolerância religiosa, precisava esconder e negar (por muitas vezes) seu axé, esse projeto é um agradecimento a minha bisavó que era Mãe de Santo, a minha avó, que inclusive, a primeira entidade que vi, foi o Caboclo dela, a minha mãe, a minhas irmãs, o meu sobrinho, a minhas primas, a minha madrinha, a minha tia e ao meu tio. Esse é o Ilê Axé.
Enfim, antes de caminhar para as palavras finais, preciso dizer que o projeto adota uma linguagem artística. Priorizando as sensações e sentimentos, além da devoção ao sagrado. Como Walter Firmo diz, não importa a forma como você fotografa, e sim a emoção que você imprime nela. Nada do que foi registrado foi posado ou ensaiado, tudo ocorreu com naturalidade, respeitando o espaço e os acontecimentos do terreiro, zelando também, pela privacidade das pessoas, pois, como o projeto ocorreu num espaço sagrado, muitos desejam manter ali como algo pessoal, e não exposto.
Para finalizar, gostaria de agradecer ao meu Pai de Santo, Roberto d’ Ogum. Responsável por me mostrar o axé no momento que mais precisei, além de me autorizar a fotografar dentro do terreiro Ilê Axé Ogum Akoro Oyá Igbale. Agradecer a minha família, que sem eles, eu não seria nada e agradecer às entidades que andam comigo e ao meu pai Xangô e a minha mãe Oxum. Que eu possa continuar fotografando, para preservar a história, o legado e o Axé.




















