O portfólio foi desenvolvido a partir de minha pesquisa sobre processos de criação fotográfica em ambientes e paisagens, com ênfase na experiência sensorial direta da dispersão da luz e na produção de sombras intensas. Esses elementos me permitem aproximar-me da pluralidade de expressões vitais desses espaços, que busco enfatizar como matéria-prima para minhas imagens — as quais, por sua vez, transformam continuamente minha maneira de perceber e habitar o mundo.
Em muitos casos trabalho retratando amigos e amigas nesse contexto, quando noto interações menos convencionais através do corpo. Será que há um roteiro ou um conjunto de normas de como devemos nos portar nesses ambientes ou há novas maneiras a serem exploradas? Evito bastante romantizar a natureza, pois, ao mesmo tempo que a vida está em constante ebulição, o conflito é um constante, assim como o luto. Isso tudo está muito além de qualquer julgamento moral e para mim é essa potência indômita descontrolada e sem contornos que me encanta, pois está muito alheia a minha vontade. Tento nessas fotografias preservar esse mistério através das zonas subexpostas.
O ser humano teme o escuro porque teme o que é desconhecido. Mas é a partir dele que temos curiosidade para inventar coisas. Há uma falta de aceitação geral sobre isso; usamos a fotografia como uma lanterna para iluminar nossos caminhos, mas, se nós voltarmos para trás e fotografarmos o mesmo lugar, tudo estará diferente da última vez. Nos últimos três anos percorri muitas trilhas em diferentes lugares como Parques portfólio. Nesse processo tive um panorama nítido da preservação dessas áreas, pois todos estão seriamente ameaçados.
Dessa perspectiva parece que meu trabalho é também um testemunho dessa extinção da diversidade ecológica. Penso que há uma perspectiva social em que a natureza se aproxima das minhas obras, pois são parecidas na medida em que, para mim, podem ser redutos onde há alguma chance para o que é diferente viver. Apesar de tudo, não vejo meu trabalho como é algo reativo, mas algo que propõe. É assim que gostaria que fosse visto, enquanto uma celebração do que merece ser dado valor, enquanto partilha afetiva entre tudo que não se rende ao conformismo.

Saco do Mamanguá/RJ, 2025

Ilha do Cedro/RJ, 2024

Reino das águas claras, Monteiro Lobato/SP, 2021

Monteiro Lotato/SP, 2023
Parceria com Greice Arthuso, Luciana Beloli, Marcio M.
Carvalho e Raffaela Pastore

Wells, BC / Canadá, 2025
Proposição de Quan Steele em parceria com Gwen
MacGregor, Johannes Zits e Norma Vieira

Delfinópolis/MG (Serra da Canastra), 2024

Delfinópolis/MG (Serra da Canastra), 2024

Juquiá/SP, 2024

Paranapiacaba/SP, 2023
Parceria com Cecilia Stelini

Juquiá/SP, 2024

Delfinópolis/MG (Serra da Canastra), 2024

Saco do Mamanguá/RJ, 2025

Andradas/MG, 2025

Wells, BC / Canadá, 2025







