Na humidade da floresta, os restos de um utilitário repousam como residentes e relíquia da mata. Restos e rastros de quem passou por ali. Raízes, plantas, musgo e silêncio transformam esse objeto inerte em arquivo vivo, onde a natureza avança em seu próprio território.
Esse portfólio é parte contínua do trabalho “Memória Sociedade Anônima” e traz para o ambiente externo e iluminado o que por certo sempre foi privado. Não se trata de registros pessoais, mas de um projeto que indaga a natureza e códigos das recordações: o que escolhemos permanecer, o que ganha novos contornos e leituras, o que se perde e o que iremos enterrar.
Ausências presentes em fotogramas espalhados pela metal tomado pela mata. Ecos de transições, afetos e esquecimentos.
Aqui o tempo se apresenta em camadas sobrepostas com imagens preservadas de quem já não existe, descansando na matéria em decomposição que, por sua vez, passa a ser reinserida no ambiente natural.
Um gesto para reflexão sobre a dissolução e a permanência.
Memória como sistema vivo que suporta o esquecimento e se reinventa ao longo do tempo.



















