Este trabalho integra uma investigação visual sobre as relações entre corpo, natureza e espiritualidade. As imagens apresentam o corpo humano imerso na paisagem, em diálogo direto com folhas, galhos e texturas da mata, criando uma atmosfera onde os limites entre sujeito e ambiente se tornam porosos. Ao ocultar parcialmente o rosto e integrar o corpo aos elementos naturais, a série sugere uma dissolução da identidade individual e um retorno simbólico à terra.
A pesquisa se inspira em cosmologias presentes nas espiritualidades de matriz afro-brasileira, especialmente na Umbanda, onde a natureza é compreendida como território vivo de força e manifestação espiritual.

O corpo se insere na paisagem como quem inicia um gesto de pertencimento à mata.

Pés em contato direto com a terra reafirmam o vínculo entre corpo e pertencimento.

A avenca atravessa o rosto como um gesto de resguardo.

O corpo se coloca em estado de escuta diante da mata.

Entidade da mata que guarda a memória ancestral da terra.

As mãos encontram a memória da própria matéria.

As mãos atravessam os galhos secos como quem toca a memória da floresta, evocando a presença ancestral dos caboclos.

A planta do pé exposta se abre como um portal sensível entre o corpo e a mata, evocando a presença espiritual dos caboclos.

A avenca cobre o olhar como um gesto de proteção e silêncio, evocando o poder das folhas nas espiritualidades da mata.







