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Hiato alpino, a neve já não sabe a neve

Matterhorn, 4.478 m

Hiato alpino, a neve já não sabe a neve

Filippo PoliPorFilippo Poli
17 de julho de 2025
em Portfólio

Selecionado no Prêmio Portfólio FotoDoc 2025

Entre o cume e o abismo, entre o branco intacto da neve que cobriu a infância e a pedra desgastada de um presente artificial, abre-se um hiato. Uma fenda brutal no tempo. Um silêncio que não é paz, mas ruptura: onde houve neve, agora há apenas pó. Onde houve descida, agora há desfiguração. É nessa brecha que se inscreve este trabalho fotográfico: não apenas como denúncia, mas também como luto. Uma elegia visual ao corpo da montanha, à sua memória ferida, ao seu desgaste lento e à certeza da sua finitude.

A motivação nasce das entranhas do arquivo familiar de Filippo Poli e da vontade de documentar a anatomia ferida dos Alpes, entrelaçando sua biografia íntima com a geografia devastada do lugar. O autor regressa com o filho ao local onde tudo começou — o Vale de Aosta — Cervinia, 1983 — mas a paisagem não responde. A montanha que moldou seu imaginário já não está. Restam apenas fragmentos, vestígios, estruturas fósseis de uma promessa não cumprida. Ali onde gerações anteriores aprenderam a esquiar, outras não terão onde cair. Como arquiteto, Poli reconhece nessa mutação não apenas um espaço cultural: a relação entre a paisagem herdada e as formas que a deformaram atravessa-o, pois nela se cifra também uma perda pessoal.

As imagens que compõem este projeto habitam múltiplas camadas de tempo. Há um ontem revelado em negativos a preto e branco: a infância, os gestos rituais, a cordilheira como refúgio e narrativa. Quando deslizar e traçar o caminho era quase um ato espiritual. A neve não era apenas matéria: era promessa, raiz, pertença. Esse território nevado, íntimo e acolhedor, parecia suspenso numa eternidade luminosa. O enquadramento de cada fotografia importa: cada imagem do álbum familiar é um quarto onde se guarda uma forma de estar, de olhar, de cuidar.

O presente, por sua vez, irrompe em cor, mas está ferido. O gesto agora é técnico, repetitivo, forçado. Uma barragem artificial deforma a encosta, retendo o que antes caía livremente. A estação já não se vive: simula-se. As vistas tornaram-se um deserto de blocos de cimento, mangueiras enroladas e tubulações metálicas. Onde antes havia rito, agora há mecânica. Contudo, o álbum familiar e o olhar atual não constroem uma narrativa linear. Não se olham com ternura: confrontam-se. O que se expõe não é uma simples transformação, mas uma perda de sentido. Aqueles picos que desenharam um horizonte robusto são agora um sintoma de fragilidade. Um sinal de alerta. E os dados confirmam a ferida. Na Itália, até hoje, 265 instalações de esqui jazem abandonadas. Na temporada 2021–2022, 90% das pistas utilizaram neve artificial. Para cobrir um único hectare, são necessários um milhão de litros de água: o equivalente ao consumo de 10.000 pessoas. Constroem-se reservatórios circulares — 165 até 2025 só na Itália — para alimentar uma ilusão efêmera que dura apenas alguns meses. Não são lagos: são cicatrizes abertas sobre o terreno. Não são soluções: são intervenções cirúrgicas num corpo já exausto.

O topônimo “Alpes” pode derivar de albus, branco, ou de alp, pedra. É nesse cruzamento semântico que habita o coração de HIATO ALPINO: entre a brancura que vestia a superfície e a dureza do que emerge quando o véu se dissolve. Aquele esplendor sublime que abraçaram os que vieram antes deu lugar a uma sombra de suspeita e inquietação. O que antes parecia imortal hoje revela sua inconsistência: glaciares que recuam, neve que não chega, máquinas que fabricam o inverno onde já não há transições.

E, no entanto, a possibilidade de olhar persiste, ainda que atravessada pelo trauma de um ambiente natural vulnerado e domesticado. Recordar torna-se um ato complexo, tenso, carregado de nostalgia e perda irreparável. As fotografias não buscam consolo, mas despertar uma consciência incômoda. Não romantizam um passado idealizado, mas interpelam-no a partir de um presente hostil. O que está em jogo ultrapassa a crise ecológica: é uma questão ética. Como amar um território que se destrói em nome do progresso? Como transmitir um legado quando a paisagem que forjou nossa identidade já não existe, ou se tornou inabitável?

Hiato Alpino é uma tentativa de resposta. Não um encerramento, mas uma fissura aberta. Um gesto de atenção ao que se desmorona. Uma forma de luto que se transforma em resistência poética: porque, embora a neve já não saiba a neve, ainda é possível olhar. Ainda é possível lembrar. Este projeto agarra-se a essa possibilidade. E nesse gesto, mínimo mas firme, a neve torna-se palavra.

Torna-se ato. Torna-se permanência. Ainda, talvez, haja tempo.

© Mireia A. Puigventós

Alps archeology, pylon before being removed
The new Alps, 3.092 m
From my family archive ‘30
Tarpaulins
Matterhorn Glacier Paradise
Plateau Rosa, 3.500 m
Snow cannon
Tarpaulins on the snow
from the previous season
From my family archive ‘30
Gran Sometta 3.092 m
The green Alps
Le Grand Murailles
Artificial reservoir Gran Sometta, 2.982 m
Frozen photograph from the author’s family archive

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Filippo Poli

Filippo Poli

Filippo Poli is a photographer and architect. He graduated with honors in Architecture from the Polytechnic University of Milan, holds a Master’s degree in Architecture and Urbanism from the UPC in Barcelona, and completed a Master’s in Photography at PhotoEspaña with a scholarship. Since 2008, he has worked professionally in photography, collaborating with architecture studios and publishing houses. His work has been featured in specialized magazines and books across Europe, the United States, and Asia. His visual focus centers on the cultural landscape and the relationship between humans and Nature—and the consequences of that interaction. Throughout his career, he has received numerous accolades, including: finalist for the Fundación Enaire Award 2025 and winner in 2017; winner of the 5th National Contest for New Photographic Creation Expositivos; finalist in the Prix Revelation of Saif Kabine at Arles Off 2025; selected for the ArtPhotoBCN 2025 portfolio reviews; first prize in the Architecture Photography Master Prize 2021 (interiors); honorable mentions in the IPA Prize 2017 and the Monochrome Awards 2015; third prize at PX3 Paris 2014; and first prize at ArchTriumph 2012, among others. His work has been exhibited in events and group shows such as PhotoEspaña (Madrid, 2017 and 2025), Sala Palacín (León, 2025), Dispara (Pontevedra, 2025), Comune di Piombino (Ministry of Culture of Italy, 2023), Museo Mudec (2022, Perimetro, Milan), the 2019 Climate Summit, ARCO 2018, Deutsches Architekturmuseum and Fundación Vila Casas (2017), Architettura Sintattica (Milan, 2015), the Venice Biennale (2014), and at the Naves de Gamazo (Santander, Fundación Enaire, permanent collection). His photographs are part of both public and private collections, including those of Fundación Enaire, the City Council of León, the Deutsches Architekturmuseum in Frankfurt, and the Basho Gallery in the United States.

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