De tempos em tempos arrumo um mínimo de pertences necessários e vou morar em uma das cidades que Marco Polo não conheceu, mas que são dignas de ser incluídas em um livro de Italo Calvino. Nos encontramos em um ponto onde a terra termina; vou com ela até onde a terra recomeça. A água salgada transfigura-se em via, avenida sem bordas fixas em que o horizonte distingue o limite do céu. O que há depois?
Aos habitantes temporários cabe escolher entre o agito de grandes festas e a escusa solidão nos longos passadiços que a cidade acolhe. Escolho o silêncio que manifesta-se em diferentes tons de azul e pode ser encontrado em todos os andares do extenso labirinto e seus reflexos. Uso meus olhos para percebê-lo e fixo-o em imagens com as lentes do celular.
A imensidão dos oceanos desacelera o tempo no ritmo ancestral do balanço do berço. Deixo-me embalar sem medo em uma experiência onde é possível observar o passar do tempo sem perdê-lo. Um tempo vivo marcado pelo ritmo prazeiroso de movimentos cíclicos: existe poesia no movimento das ondas do mar.





















