Este portfólio é resultado de um processo contínuo de deslocamento e observação pelo interior e pelo litoral do Brasil ao longo de 2025. A partir da participação em expedições de longa duração — Rally dos Sertões e Brasil Adventure — percorri mais de 12 mil quilômetros por diferentes regiões do país, atravessando sertões, zonas litorâneas e áreas de transição, além de estados, paisagens e comunidades muitas vezes invisibilizadas.
O trabalho nasce do encontro com pessoas que permanecem nesses territórios e constroem sua vida cotidiana em diálogo direto com o ambiente, com a escassez, com a adaptação e com o tempo. Mais do que registrar lugares, o ensaio busca compreender como essas paisagens são vividas, atravessadas e habitadas.
As imagens não pretendem explicar o Brasil, mas sugerir camadas: o silêncio, o gesto, a infância, o trabalho, a água, a terra e a beleza. Um Brasil profundo que não se revela no deslocamento rápido, mas na permanência do olhar.

O território brasileiro não é único. Ele se transforma, se repete e se reinventa em cada paisagem.

Entre o seco e o úmido, o vazio e o excesso, o Brasil se constrói na diversidade de seus territórios.

É no encontro que o território ganha rosto. A paisagem deixa de ser cenário e se torna lugar vivido.

O tempo atravessa o corpo e se fixa nos gestos repetidos de quem permanece.

A infância cresce em diálogo com um Brasil em constante atravessamento, transformação e contraste.

Em alguns lugares, a água não é paisagem. É gesto cotidiano, cuidado e sobrevivência.

A permanência sustenta o território. A vida se constrói no tempo longo.

O Brasil também se forma no interior das casas, nos gestos simples e na memória compartilhada.

A paisagem não se impõe — ela se relaciona. Natureza e vida se atravessam.

Muitos Brasis coexistem. O dia termina, o território permanece.







