Desde 2021, venho fotografando as cadeiras monobloco com cuidado depois de anos tentando retirá-las do meu quadro. Como em muitos lugares do mundo, de alguma forma também a via como um objeto menor, feio. Mas aos poucos fui entendendo sua importância e como ela ganhou alma por aqui, no norte do Brasil. Nas nossas periferias ela se coloriu e tomou diversos usos. Se tornou mais que um simples objeto, é tão íntima que está sempre misturada as nossas histórias.
Ela está na frente da casa, esperando a conversa de fim de tarde. No mercadinho, expondo o produto. Na beira da rua, marcando território, dizendo sempre: aqui tem gente, aqui tem vida.
A monobloco é democrática, popular, adaptável. Ela não sustenta somente o corpo, sustenta encontros e histórias.
“Que não me falte cadeira” é ao mesmo tempo uma reverência a estética periférica e uma prece. Que não nos falte lugar pra sentar, partilhar e permanecer.
No fundo, essa série fala menos do objeto e mais da vida que insiste em querer continuar.





















