Estas fotografias foram feitas ao longo de cinco anos de andanças por parques nacionais e estaduais do sudeste brasileiro. Consistem em vistas serranas, altaneiras, que dão a ver a imensidão de um espaço natural, ou aquilo que dele restou, comprimido cada vez mais pelo avanço da civilização.
Comecei a fazer fotografias e a fazer trilhas mais ou menos na mesma época. Contudo, contrariando o costume, não foi a aproximação da natureza selvagem que me incitou o desejo de fotografar suas paisagens. Antes, foi o desejo de fotografar paisagens que me aproximou da natureza e me impôs a necessidade de trilhar suas serras. Em minha vida, a fotografia precedeu o montanhismo; o ímpeto imagético precedeu a disciplina do trekking; e a forma da experiência precedeu seu conteúdo.
Esse descompasso entre fim e meio dota, a meu ver, essas fotografias de uma aura estranha. Lugares em que estive de corpo e alma, que em alguns dos quais só cheguei depois de muita peleja e canseira, que me marcaram com sua contundência e que não posso mais esquecer – tais espaços parecem-me, imaginados nessas fotos, territórios alienígenas.
Talvez isso se deva ao fato de que essas paisagens não me surgiram prontas e familiares, de que cada uma delas tenha por substrato as circunstâncias não de seu descobrimento, mas de sua procura. O fotógrafo não é um observador, mas sim é um caçador. Fotografar é uma ação: pressionar o obturador é puxar o gatilho; o clique é o disparo; a imagem, a presa capturada.
Como toda caçada, fotografar implica preparação, planejamento e espreita; em alguns casos, implica também busca ativa; mas, sobretudo, caçar implica surpreender e ser surpreendido: revelar e revelar-se.
Na revelação de cada uma dessas imagens, isto se impôs a mim como um fato: o fotógrafo é, sim, um caçador; mas um caçador que, ao invés de destruir, cria.





















