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Entre Cintos, Fivelas & Memórias: O Mundo de Crispim da Mata

Dheniffer WagataPorDheniffer Wagata
24 de maio de 2024
em Ensaio

A Feira Hippie, a maior feira ao ar livre da América Latina e uma das mais emblemáticas feiras de rua do Brasil, possui uma história rica que abrange décadas de transformações e desafios. Inicialmente focada no artesanato nas décadas de 1960 e 1970, a feira evoluiu para incluir produtos industrializados e importados a partir dos anos 1980. Essas mudanças diversificaram sua oferta, mas também afastaram a feira de suas raízes artesanais originais. Além disso, a feira mudou de local várias vezes: da Praça Cívica para a Avenida Goiás e, finalmente, para a Praça do Trabalhador nos anos 1990. No entanto, essas mudanças não resolveram os problemas territoriais enfrentados pela feira, que continuou a crescer desordenadamente.

Hoje, na Feira Hippie, o cenário mudou. O aroma de incenso e o colorido das artesanias cederam espaço para roupas, calçados, praça de alimentação e outros produtos. Entretanto, uma coisa permanece inalterada: a essência das pessoas, suas lutas e suas histórias de sobrevivência.

Em meio às barracas repletas de roupas da moda, tênis descolados e produtos diversos, conheci o senhor Crispim da Mata de 62 anos, uma figura ilustre, alegre e de um carisma contagiante. Crispim trabalha com diversos acessórios, como cintos, chapéus, muladeiras e bonés, há muitos anos na Feira Hippie de Goiânia, aos sábados e domingos. Ele monta muladeiras, troca fivelas dos cintos dos clientes e confecciona cintos manualmente, com muito amor, alegria e capricho. Para ele, não existe tempo ruim.

A dedicação de Crispim reflete a verdadeira alma da feira: a perseverança e a paixão dos trabalhadores que, dia após dia, enfrentam os desafios com um sorriso no rosto e um coração cheio de esperança.

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Dheniffer Wagata

Dheniffer Wagata

Dheniffer Wagata Barbosa Cardoso é bacharel em Direção de Arte pela Universidade Federal de Goiás e pós-graduada em Marketing Digital. Fotógrafa profissional formada pelo Senac Goiás Cora Coralina, também é editora de vídeo e especialista em efeitos visuais pela Escola de Artes Visuais Imageria Criativa. Co-fundadora do Coletivo de Mídia Independente Desneuralizador, Dheniffer atua há cerca de uma década no campo audiovisual, com experiência que abrange da direção de arte à edição e aos efeitos especiais. Seu trabalho tem sido amplamente reconhecido por sua potência estética e compromisso político. Em 2021, foi laureada com o 1o lugar na categoria Ensaio Fotográfico do 3o Prêmio Dom Tomás Balduíno de Direitos Humanos, com o projeto “ISOLAMENTO SOCIAL: SEM COR, SEM VIDA”, no qual assinou a direção de fotografia. Em 2022, seu filme “O Rei do Congo” obteve menção honrosa do júri e 1o lugar no Júri Popular Presencial na mostra competitiva do Festival de Cinema e Memória Cerratenses, onde desempenhou as funções de diretora, roteirista e diretora de fotografia. O mesmo filme recebeu menção honrosa no 6o Curta Canedo, sendo agraciado com o Troféu Ceci Pinheiro, na categoria Cinema pela Igualdade Racial e Valorização da Mulher. Ainda em 2022, foi premiada com o 1o lugar no Júri Popular Virtual da mostra competitiva do mesmo festival, pelo filme “Raízes: um facão, uma picareta e um pilão”, no qual atuou como roteirista e produtora. Em 2016, Dheniffer foi reconhecida com menção honrosa do júri na 16a Goiânia Mostra Curtas, com o filme “Operação 2,80: e a revolta popular só aumenta”, assinando a direção de fotografia. No 9o Festcine Goiânia (2019), o longa documental “Não Tem Arrego”, com direção de fotografia de sua autoria, foi destaque na categoria Documentário. Em 2022, o mesmo filme conquistou os prêmios de Melhor Filme do Júri Oficial, Melhor Filme do Júri Popular e Melhor Trilha Sonora na Favera IX – Mostra É Nóis Goiás de Longas e Médias, mantendo Dheniffer na direção de fotografia.

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