Horizonte da Alma No espelho negro e úmido deste olhar, o mundo se encolhe para caber na imensidão de uma alma silenciosa. A lente macro não captura apenas a textura rude da pelagem ou a curva delicada dos cílios alvos que coroam esta esfera de obsidiana; ela desvenda um portal.
Em tons de cinza e contrastes profundos, a fotografia transcende o registro documental para se tornar um estudo sobre a percepção. O que este ser observa? O reflexo em sua pupila devolve-nos o ambiente árido, as linhas retas de um confinamento humano, talvez um estábulo, onde a luz artificial tenta, em vão, domar a natureza indomável que reside ali dentro.É um instante de quietude absoluta, onde o tempo parece suspenso na superfície vítrea da córnea.
Não vemos o animal inteiro, mas sentimos sua presença maciça, sua respiração contida. Este “Horizonte da Alma” não é uma paisagem distante, mas a geografia íntima de uma existência que nos fita de volta, convidando-nos a uma alteridade amorosa e silenciosa. Na sombra e na luz, encontramos o universal no particular.







