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No rastro de Leonor

Messias SouzaPorMessias Souza
15 de abril de 2024
em Portfólio

Entre os meses de fevereiro e março de todo ano, o calendário indígena do povo Pankararu é marcado pelos rituais da Corrida do Imbu e Dança do Cansanção, o cansanção é uma planta da família euphorbiaceae, conhecida por suas propriedades urticantes. Com a chegada da estação chuvosa de curta duração no sertão, se inicia a safra do fruto do imbuzeiro, árvore nativa da caatinga que dá origem aos rituais.

Os rituais acontecem publicamente em diversas etapas, ordenadas por pintura corporal, defumações, toantes, danças rituais, oferta de comidas e bebidas, finalizando sempre com a queima do cansanção. Na Cosmogonia Pankararu a colheita do imbu simboliza não apenas o período de abundância no território da caatinga, mas também, por outro lado, representa a mutabilidade, a cura e o início do novo ano na tradição do nosso povo. Esse ritual é uma herança que valoriza e fortalece a profunda relação entre o bioma da caatinga e os povos indígenas do alto sertão de Alagoas, descendentes dos Pankararu de Pernambuco, também conhecidos como tronco velho.

É justamente nos rituais da corrida do imbu e dança do cansanção que as mulheres do povo Katokinn e Geripankó de Alagoas, descendentes do tronco velho de Pernambuco, se destacam pela participação e papel desempenhado na ritualística de ambas as cerimônias. No núcleo interno das aldeias, através de organizações e significados próprios, elas são responsáveis pelo preparo da comida sagrada que alimenta toda a aldeia, na área externa, assumem o papel de cantadeiras na roda do toré e dançadeiras em pareias na dança com os Encantados. Mas é como carregadeiras de cestos e dançadeiras na roda do cansanção que protagonizam fundamentalmente a força e resistência da mulher Pankararu.

No rastro de Leonor, 2024, mulheres Geripankó, Alagoas.
No rastro de Leonor, 2024, mulheres Geripankó, Alagoas.
No rastro de Leonor, 2024, mulheres Geripankó, Alagoas.
No rastro de Leonor, 2024, mulher Pipipã, Pernambuco.
No rastro de Leonor, 2024, mulher Katokinn, Alagoas.
No rastro de Leonor, 2024, mulher Katokinn, Alagoas.
No rastro de Leonor, 2024, mulheres Geripankó, Alagoas.
No rastro de Leonor, 2024, mulheres Geripankó, Alagoas.
No rastro de Leonor, 2024, cesto de imbu, Alagoas.
No rastro de Leonor, 2024, mulheres Katokinn, Alagoas.
No rastro de Leonor, 2024, mulheres Geripankó, Alagoas.
No rastro de Leonor, 2024, mulheres Geripankó, Alagoas.
No rastro de Leonor, 2024, mulheres Katokinn, Alagoas.
No rastro de Leonor, 2024, mulheres Katokinn, Alagoas.

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Messias Souza

Messias Souza

Messias Souza é natural de Mata Grande, sertão de AL, indígena Pipipã, atualmente mora e trabalha em São Paulo, onde estuda mestrado em Artes Visuais na Universidade Estadual de São Paulo. Em 2023 foi contemplado com a Bolsa de Formação em Pesquisa do Instituto de Arte Contemporânea e participou de diversas exposições coletivas, dentre elas a Bienal Internacional de Artes Visuais no Ceará. Através de colagens, instalações, performances, intervenções manuais e processos de experimentações sob suporte fotográfico, ficciona memórias e preenche lacunas como uma garantia de serem lembradas e continuarem vivas suas ancestrais LGBTQIA+ e afroindígenas.

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